Desde 2017 como enólogo da Quinta do Isaac e da Quinta dos Montes, assume como um grande desafio profissional entender a vinha, o seu enquadramento e não forçar “estilos” de vinhos

Pedro Norton Sequeira, enólogo natural de Peso da Régua, despertou para o mundo do vinho quando no final do curso técnico-profissional de Agricultura da Escola Agrícola do Rodo foi fazer o estágio de curso nas Caves da Raposeira.

 Qual o seu percurso profissional?
“Depois do Curso técnico Profissional de Agricultura fiz vários estágios e vindimas, nomeadamente na Adega Cooperativa do Peso da Régua, Caves da Raposeira, Real Companhia Velha e Sandeman. Em 1998 comecei a trabalhar na Casa de Santa Eufemia e em 2000, juntamente com o António Rosas e o Pedro Carvalho, criámos a empresa de prestação de serviços de enologia – a Duplo PR – o que me permitiu trabalhar com vários produtores: no Alentejo com a Herdade da Rocha e no Douro com a Quinta das Hidranges, Raul Caiado Ferrão, Solar do Prado, Casa Agrícola Águia Moura, Quinta das Seixas, Selores, Quinta do Soque, Quinta dos Poços, Quinta das Bajancas, Brites Aguiar, Foz Tua e Quinta do Isaac. Em 2017 vendi a minha participação na Duplo PR e fiquei só com os projectos da Quinta do Isaac e da Quinta dos Montes.”

 Como enólogo, quais foram os seus maiores desafios?
Entender a vinha, o seu enquadramento e não forçar “estilos” de vinhos.”

 O que acha mais relevante na evolução do Mercado dos vinhos nos últimos anos?
“O consumidor cada vez mais conhecedor e exigente.”

O que acha do serviço de vinho nos restaurantes?
“Muito melhor que no passado, mas ainda com um longo caminho a percorrer. É essencial o investimento no profissional que é o Sommelier. Todos nós (restaurantes, produtores e consumidores) iríamos ganhar mais com isso.”

O que pensa do serviço de vinho a copo?
“Importante para o aumento das vendas e para facilitar aos consumidores o sair da sua zona de conforto, ou seja, o despertar para novas regiões, produtores e vinhos.”

O que acha dos conselhos de harmonizações como parte integrante do serviço de vinhos nos restaurantes?
“Acho muito positivo, pois mais uma vez nos pode levar a sair da nossa zona de conforto e partir à descoberta.”

Qual a experiência em restaurante que melhor o impressionou?
“Tenho várias, mas assim de repente lembro-me com muita saudade do jantar na Rua de S. Bento, no Gemelli, em que o chef Augusto Gemelli me deu a conhecer as trufas.”

Qual foi o vinho que provou que mais o sensibilizou?
“Um Vinho do Porto de um lavrador, de 1880.”           

Qual a sua opinião sobre a evolução do mercado nacional no que concerne à produção, distribuição e consumo?
“Na produção há cada mais e melhores vinhos e uma preocupação cada vez maior com a vinha. No comércio, infelizmente continua o domínio das grandes superfícies, apesar de que aos poucos as garrafeiras têm conseguido conquistar mais mercado, principalmente junto daqueles consumidores em que o fator mais importante na decisão da compra não é o preço, mas sim o serviço. Acredito que o comércio online irá possibilitar ao produtor oferecer diretamente ao consumidor mais conhecedor, exigente e aventureiro os seus vinhos e desta forma criar laços entre o produtor e o consumidor.”

 O que acha da evolução da penetração dos vinhos Portugueses no Mercado mundial?
“É uma realidade que os vinhos portugueses têm vindo a aumentar as vendas, mas isso também era relativamente fácil, pois as vendas eram tão baixas que seria difícil não o conseguir fazer. O objectivo deverá ser conseguir aumentar ainda mais as vendas, subir os preços e ganhar o reconhecimento e prestígio por parte dos consumidores.”

Qual a história que mais o marcou desde que trabalha nesta área?
“O que aconteceu durante a última vindima… O facto de ter grandes dificuldades para conseguir vindimar na altura certa devido à falta de mão de obra, depois de um ano tão exigente em termos de viticultura, como foi o ano 2018, “

Por Mário Rodrigues
Edição Rita Lisboa