Enólogo Pedro Gonçalves

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O maior desafio até hoje é trabalhar todos os dias para tornar o Monte da Ravasqueira um projeto de referência do Alentejo depois de 10 anos focado a uma realidade distinta

Pedro Pereira Gonçalves, Enólgo, Monte da Ravasqueira, vinho

Pedro Pereira Gonçalves, Eng.º agrónomo – enólogo  e diretor geral do Monte da Ravasqueira, é natural de Lisboa. A enologia e a viticultura surgiram logo com a entrada no Instituto Superior de Agronomia para o curso de Engenharia Agronómica. Surgiu com a paixão pelo campo, mas muito também pela influência que todos exerceram num grupo de amigos que tínha e se manteve. Desse grupo, hoje são quase todos enólogos.

Qual o seu percurso profissional?
O Esporão foi a primeira experiência que tive e o primeiro contacto sério com o mundo da enologia, há 15 anos atrás. A partir daí, realizei inúmeros estágios por todas as regiões do país até seguir para Austrália em 2004. No ano seguinte, assumi a responsabilidade de um projeto de referência no Ribatejo até 2012, altura em que entrei para o Monte da Ravasqueira como responsável por toda a área de Viticultura e Enologia.

Desde o ano de 2007 até hoje passei pela Nova Zelândia, Chile, Universidade Católica-Lisboa com a conclusão do Programa avançado em Gestão para Executivos e pela UCDavis, Universidade da Califórnia à qual estou ligado desde 2015 a concluir um Master em Enologia e Viticultura.

Como enólogo quais foram os seus maiores desafios?
Tenho tido sempre enormes desafios pelos projetos onde passo, mas sem duvida o maior desafio até hoje é trabalhar todos os dias para tornar o Monte da Ravasqueira um projeto de referência do Alentejo depois de 10 anos focado a uma realidade distinta.

O que acha mais relevante na evolução do Mercado dos vinhos nos últimos anos?
Por um lado, a relação qualidade-preço teve uma evolução muito positiva. Por outro lado, foi importante o aparecimento de vinhos com perfis muito distintos e para diferentes nichos que tiveram muito boa aceitação no mercado.

O que acha do serviço de vinho nos restaurantes?
Considero que este serviço está cada vez melhor e mais especializado, o que é muito positivo para os produtores mas acima de tudo para o consumidor.

O que pensa do serviço de vinho a copo?
Se o serviço de vinho a copo for bem estruturado e houver uma boa seleção de vinhos, é sem dúvida muito positivo para o setor.

O que acha dos conselhos de harmonizações como parte integrante do serviço de vinhos nos restaurantes?
A Harmonização dos vinhos na restauração é fundamental. Acima de tudo, considero imprescindível que seja parte integrante do serviço de vinhos porque permite elevar toda a experiência e adequar o equilíbrio de intensidades.

Qual a experiência em restaurante que melhor o impressionou?
Foram várias, não destaco nenhuma.

Qual foi o vinho que provou que mais o sensibilizou?
Prefiro destacar uma prova em vez de um vinho: Vertical de Wynns Cabernet Sauvignon de Coonawarra, Asutrália.

Qual a sua opinião sobre a evolução do mercado no que concerne à produção, distribuição e consumo?
A evolução está a ser positiva, mas tudo vai mudar muito mais depressa do que imaginamos. Como tudo no resto no mundo, a forma como o vinho vai chegar ao consumidor vai mudar: a produção está cada vez mais especializada, as distribuidoras procuram cada vez mais diferenciar-se da concorrência, o que torna o processo evolutivo positivo. Quanto ao consumo, continua a aumentar principalmente em mercados com consumos per capita quase nulos, o que os torna num futuro potencial mercado de exportação.

O que acha da evolução da penetração dos vinhos Portugueses no Mercado mundial?
Os vinhos portugueses têm cada vez mais reconhecimento mas ainda existe muito trabalho para fazer e muita história para construir e consolidar. Existem ainda muitos mercados mundiais importantes que não fazem ideia quais as características dos vinhos, castas e regiões portuguesas.

Qual a história que mais o marcou desde que trabalha nesta área?
O que mais marcou e marca são os mitos que foram criados nesta área e que diariamente, se formos críticos, cada vez vão sendo menos. Em enologia, como diz um grande técnico Volker Schneider “facto é meramente o número suficiente de pessoas que crêem, e a verdade está apenas no quão fervorosamente acreditam”.

por Mário Rodrigues

 

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