Tomás Roquette

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Um artigo de Tomás Roquette, escrito para o AliveTaste, sobre o projeto Crasto Superior, que surgiu da necessidade e vontade de crescimento e diversificação da Quinta do Crasto.

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Este ano foi marcante para a história da Quinta do Crasto. 15 anos depois da aquisição da Quinta da Cabreira, o projeto do Crasto no Douro Superior começa a concretizar a sua missão: uma gama de vinhos de qualidade superior, em quantidade generosa, permitindo explorar a potencialidade das castas nesta sub-região inóspita para o homem, mas perfeita para os vinhos.

Foi com bastante entusiasmo que introduzimos, nos dois últimos anos, mais duas referências à família Crasto Superior. O Crasto Superior Branco, que já tinha sido testado numa quantidade muito limitada na colheita de 2013, provou as excelentes expectativas que temos depositadas nele. Trata-se do nosso primeiro Branco com madeira, uma vontade conjunta da família e da equipa de enologia, que só aqui foi possível concretizar. E o Crasto Superior Syrah, o primeiro monocasta produzido na Quinta da Cabreira e que representa também a vontade de testar novas castas e novos caminhos.

O projeto Crasto Superior ganha corpo e estrutura, como os seus vinhos. E apraz-nos perceber que a nossa aposta tem eco na excelente aceitação que os vinhos têm recebido nos mercados. O seu perfil é convidativo a isso: o objetivo é produzir vinhos modernos, elegantes, ao mesmo tempo com uma excelente relação qualidade/preço.

Mas comecemos pelo início. A Quinta da Cabreira foi adquirida em 2000, altura em que foi feito um forte investimento nas vinhas, que ocupam 114 hectares, onde estão plantadas 11 castas diferentes. Temos também mais de 4 mil oliveiras em produção que dão origem ao Azeite Selection.

O Crasto Superior Tinto nasce na colheita de 2007 e desde então tem vindo a crescer em qualidade, quantidade e na confiança do mercado. Segue-se o Crasto Superior Branco, que vem complementar a gama de vinhos do Crasto com um perfil diferente, não apenas pelas condições distintas do seu terroir, como pelo método de vinificação. Este vinho estagia durante seis meses em barricas de carvalho francês e acácia, assentes num sistema rotativo que permite o levantamento das borras finas, o chamado “bâttonage”, sem incorporação direta de oxigénio. O primeiro teste foi na colheita de 2013, mas apenas numa quantidade muito limitada e este ano lançamos já 8.784 garrafas, que esgotaram rapidamente. Já este ano, foram disponibilizadas 20.737 garrafas da colheita de 2014.

O Crasto Superior Syrah começou a ser idealizado em 2004, altura em que foram feitas plantações experimentais da casta Syrah na Quinta da Cabreira. Foi uma agradável surpresa para a equipa de enologia. Com um estágio em barricas de carvalho francês durante 16 meses, este vinho apresenta uma excelente projeção aromática e grande volume e estrutura de boca. O projeto chegou finalmente ao mercado este ano, com a colheita de 2013, também numa quantidade muito limitada de 8.315 garrafas, mas estamos já a preparar o aumento da produção nas próximas colheitas.

O projeto Crasto Superior surgiu obviamente da necessidade e vontade de crescimento e diversificação da Quinta do Crasto. Mas tornou-se numa paixão, num entusiasmo permanente por criar um projeto de raiz e dar-lhe corpo na garrafa e no copo.

por Tomás Roquette

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