Enóloga Martta Reis Simões

publicado em: Culto Do Vinho, Vinhos | 0

O Serviço de vinho a copo é de louvar, é uma excelente iniciativa que devia ser mais explorada. Com o vinho a copo há a oportunidade de numa refeição podermos provar mais do que um vinho…

Martta Reis Simões

Martta Reis Simões, enóloga é natural dos EUA. Sendo neta de agricultores teve contacto com a vinha e todos os anos no mês de setembro participava na vindima de casa. Mais tarde, o seu pai começou a interessar-se especialmente por vinho: abriu uma garrafeira ao público, frequentou formações e foi um dos membros fundadores da Confraria dos Enófilos da Estremadura. O vinho sempre foi uma presença constante e aos fins-de-semana bebiam-se boas garrafas de vinho. Foi natural e óbvia a decisão de ingressar no curso de Enologia na UTAD.

Qual o seu percurso profissional?
Durante a licenciatura estagiei na Quinta do Noval e, no ano seguinte, ainda a estudar, optei pela Quinta da Romeira onde comecei a trabalhar com o Nuno Cancela de Abreu. Aí permaneci durante dois anos e, em 2003, novamente pela mão do Nuno, rumei até ao Tejo para a Quinta da Alorna. Desde 2004 integro a Câmara de Provadores desta Região.

Quais foram os seus maiores desafios?
O meu maior desafio foi quando assumi a Direção de Enologia da Quinta da Alorna, a um mês da vindima e com o meu filho Salvador acabado de nascer! Foi a vindima mais longa e de maior quantidade de todos estes anos. No início da vindima o Salvador tinha dois meses, ia comigo todos os dias para a Quinta da Alorna, entre vinha e adega, estagiários, funcionários, ali passou quase três meses. Humana e emocionalmente, olho para trás e penso “como é que foi possível?!”.

O que acha mais relevante na evolução do Mercado dos vinhos?
A qualidade dos vinhos. Esta evoluiu muito e de uma forma positiva. Além disto, o consumidor está cada vez mais atento, informado e exigente.

O que pensa do serviço de vinhos nos restaurantes?
Nos últimos anos, temos melhorado muito mas penso que esta preocupação está mais associada a restaurantes acima do nível médio. No entanto, o trabalho deve ser feito nos restaurantes mais acessíveis. É aqui que devemos melhorar muitíssimo, principalmente as temperaturas e os copos. Sendo nós um país com fortes tradições vitivinícolas, já devíamos ter naturalmente esse cuidado. Lá fora, e muitas vezes em países que não têm o cultivo da vinha, o vinho é muito melhor tratado à mesa do que por cá.

Qual a sua opinião sobre o serviço de vinho a copo?
É de louvar, é uma excelente iniciativa que devia ser mais explorada. Com o vinho a copo há a oportunidade de numa refeição podermos provar mais do que um vinho e até fazer as nossas harmonizações ao longo da refeição, ir mudando de vinho consoante mudamos de prato.

Qual foi o melhor vinho que teve oportunidade de provar?
Houve vários vinhos que me impressionaram. No entanto, nunca esquecerei um Pedro Ximénez, do Jerez, com 30 anos, absolutamente divinal. Curiosamente, nunca soube qual a marca comercial pois foi numa edição do International Wine Challenge!

Qual a experiência em restaurante que melhor a impressionou?
Foi no ‘The Golden Peacock’, no Hotel/Casino Venetian em Macau. Um jantar surpreendente! A frescura e a qualidade dos alimentos, o modo de confeção – o mais natural possível, o serviço de vinho, tudo estava perfeito!

O que acha da penetração dos vinhos Portugueses no Mercado mundial?
Só há relativamente poucos anos é que, de um modo geral, acordámos para a exportação. Na minha opinião, um pouco tarde, já que o esforço agora é maior e o reconhecimento mais demorado. Cabe-nos a nós essa difícil tarefa de levar os nossos vinhos e as nossas castas além-fronteiras e de “educar” o consumidor através de provas, seminários, ações específicas em países específicos. Temos tudo para conseguir vingar: História, Património Vitícola, Gastronomia e só temos de saber comunicar.

por Mário Rodrigues

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