Jornalista Maria João de Almeida

publicado em: Culto Do Vinho, Vinhos | 0

O grande desafio é ser Master of Wine

Maria João de Almeida, natural de Lisboa,  jornalista, especialista na área de vinhos e uma das primeiras mulheres não enóloga em Portugal  a desbravar os caminhos da enologia.

Onde estás a trabalhar neste momento e por onde já passaste?
Neste momento tenho uma empresa de Conteúdos (MJA Conteúdos) especializada nas áreas de vinho, gastronomia e turismo, que tem como projectos base o portal www.mariajoaodealmeida.com e o www.vinho.tv. Escrevo também todos os meses para a revista UP (da TAP) e para o Estado de Sâo Paulo, o maior jornal do Brasil, além de me encomendarem pontualmente textos para vários meios de comunicação social. Comecei como jornalista freelancer em 1995, no final dos anos 90 estive cerca de um ano na TVI e logo a seguir entrei no Expresso, de onde acabei por sair em 2009 para me dedicar aos meus próprios projectos. O Expresso foi uma grande escola de jornalismo, mas para apostar na área dos vinhos não poderia continuar num jornal generalista. Fazer um portal de vinhos e um canal de TV na web dedicado ao vinho foi uma ideia arriscada mas acertada – Hoje somos os mais vistos nessa área.

Como e quando despertaste para o mundo do vinho?
Como disse, comecei como jornalista freelancer em 1995 e nesse mesmo ano encomendaram-me um artigo sobre os primeiros cursos para consumidores esclarecidos que estavam a começar a surgir em Portugal. Fui então à Escola de Hotelaria do Estoril onde estava a decorrer um desses cursos e gostei tanto que acabei por me inscrever no dito curso! Até então eu não ligava muito a vinho e julgava que não gostava mas a verdade é que percebi que andava era a beber mau vinho. Afinal havia vinhos bons e diferentes, de várias regiões. Foi uma descoberta e depois não parei de fazer outros cursos em Portugal e na Europa, ler, viajar…

Qual foi o teu maior desafio desde que teve início a tua atividade nesta área?
Já entrevistei grandes nomes da enologia mundial, assim como críticos famosos, avaliei vinhos raros em prova cega, mas na verdade penso que o grande desafio de quem está nesta área é mesmo tentar ser Master of Wine, o maior grau profissional no sector dos vinhos (no mundo existem apenas 280 Masters of Wine). Mas isso é quase impossível pois além de ser muito caro exige muito tempo da pessoa, uma disponibilidade enorme para viajar e para provar vinhos em todo o mundo.

Que história, pelo absurdo e/ou interessante, tens desde que iniciaste a tua atividade?
Há sempre várias histórias e assim de repende lembro-me de duas. Uma absurda é ter visto um reputado enólogo da nossa praça ter falado o melhor possível do seu vinho e,na semana seguinte, em prova cega, ter dito o pior…. Uma interessante: ter provado vinhos velhos brancos do Dão, que estavam em pleno estado de conservação, o que não é nada comum. Eram da casta encruzado, preservados pelo Centro de Estudos Vitivinícolas de Nelas e o mais antigo era de 1942… Quando falamos de vinhos brancos velhos pensamos sempre nos vinhos de Borgonha, mas estes vinhos feitos em Portugal, na região do Dão, também revelaram um enorme potencial.O que nos faltam são estudos / experiências com as castas que nos permitam perceber qual o seu potencial e, consequentemente, o dos nossos vinhos…

Qual o melhor vinho que já tiveste oportunidade de provar e de que país?
Já foram tantos, é impossível dizer o melhor… Vou antes falar do mais antigo que bebi, um Porto Vintage 1815, da Ferreira. Um vinho apaixonante pela evolução que teve – estava fantástico – mas também pelo contexto histórico.  Se não estou em erro, D. Antónia tinha apenas 4 anos nessa altura, Napoleão é derrotado definitivamente na Batalha de Waterloo, e só de pensar que um vinho dessa época chegou até nós em pleno estado de conservação é fantástico. E mais fantástico foi a honra e a oportunidade de o provar.

Qual o restaurante que te proporcionou uma experiência inesquecível e porquê?
A mais fascinante refeição foi sem dúvida no El Buli, do chef Ferran Adrià, na Catalunha, perto da cidade de Roses. Percebi que ali não se ia para comer, mas sim para ter uma experiência gastronómica: O menu era enorme, vários pratos e pequenas quantidades. Ali tudo importa, os aromas, as cores, as texturas, a química utilizada na cozinha (gastronomia molecular), as combinações com o vinho… Tudo aquilo deu muito trabalho a fazer, vê-los a trabalhar através do vidro da cozinha foi muito interessante. Foi uma experiência única, adorei!

por Mário Rodrigues

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