Enólogo José Neiva Correia

publicado em: Culto Do Vinho, Vinhos | 0

Fazer vinhos adequados ao gosto dos consumidores…

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por Mário Rodrigues

José Neiva Correia é natural da Quinta de Porto Franco na Atalaia em Alenquer. Como enólogo, começou a trabalhar na adega cooperativa de Torres Vedras em Maio de 1974, dois anos depois passou a fazer consultoria na adega cooperativa de S.Mamede da Ventosa. Foi proprietário e director técnico de um laboratório de enologia em Torres Vedras, onde dava consultoria a diversos produtores da região. Este laboratório deu-lhe formação na área da nutrição vegetal, o que é crucial na área dos vinhos para acompanhar a qualidade e produção. Passou pela Adega de Sobral de Monte Agraço, Adega Cooperativa da Azoeira, Casa Santos Lima onde é consultor enólogo até hoje. Foi também consultor de uma empresa inglesa importadora de vinhos portugueses e mais tarde acabou por constituir a empresa DFJ Vinhos.

Como e quando despertou para o mundo do vinho?
Em termos de raízes, tanto do lado materno como paterno, sempre tive ligações ao vinho, sendo uma família de viticultores, ligadas ao campo, com outros negócios mas onde o vinho sempre esteve presente.

Qual foi o seu maior desafio desde que teve início a sua atividade nesta área? 
Fazer vinhos adequados ao gosto dos consumidores dos diversos países para onde exportamos. (a D.F.J. exporta 90% do que produz)
  
O que acha deveria ser alterado na postura de alguns dos restaurantes e hotéis relativamente ao serviço de vinhos?
Devem saber conservar e servir os vinhos, de forma a justificarem os elevados preços que praticam

Que história, pelo absurdo e/ou interessante, tem desde que iniciou a sua atividade? 
Numa viagem de prospecção á Argentina, num restaurante, eu e o meu sócio Dino Ventura aproveitamos a lista extensa para provarmos uma quantidade suficiente de vinhos de forma a avaliar-mos a qualidade da região de Mendonça. (Nesse tempo os vinhos Argentinos eram muito baratos)
Quando já tínhamos mandado abrir á volta de vinte garrafas, verificámos que os empregados de mesa se começaram a posicionar junto á porta.
Depois de nos rirmos á gargalhada e percebendo que os empregados receavam que fugíssemos pedimos para falar com o gerente do restaurante e lá lhe explicámos o que estávamos a fazer.
O gerente pediu desculpa e disse-nos que nunca se tinha passado uma situação destas para ele tão curiosa e hilariante. 

Qual o melhor vinho que já teve oportunidade de provar e de que país? 
Não existe “Melhor Vinho” isso depende do nosso gosto, do nosso estado de espirito, da companhia, da gastronomia e até do clima.
Um dos vinhos que mais prazer me dá beber é o Francos Reserva 2003, que produzi para comemorar os meus 30 anos de Enólogo. 

Qual o restaurante que lhe proporcionou uma experiência inesquecível e porquê?
São Gião do chef Pedro Nunes foi o restaurante em que tive as experiências gastronómicas mais interessantes em quantidade e qualidade porque foi aí que tive que escolher os pratos que melhor casavam com os vinhos da DFJ de forma a serem escolhidos para o livro Grand’Arte (40 vinhos para 40 receitas).

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