Chef Hélio Loureiro

uma pequena história de um cherne …

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por Chef Hélio Loureiro

Faz alguns anos ganhou as eleições o Dr. Durão Barroso depois de uma campanha disputada e de algumas histórias engraçadas e caricatas entre elas a de uma comparação feita entre ele a de um cherne,  figura do Poema de Alexandre O’neill “ sigamos o cherne “ a que a mulher do candidato a primeiro ministro o comparou ao cherne destemido do poema num momento em que quis dar uma ar de elevação cultural com um poema que só meia dúzia de intelectuais de uma esquerda vanguardista conhecem o que lhe ficou até muito mal   deixou  assim durante o período eleitoral o futuro primeiro ministro com o cognome do cherne.

Ora era de todos conhecido o seu novo apelido e até referencia nos telejornais e à boca pequena mesmo nas pessoas mais próximas e dentro do partido , pois poucos conheciam o conteúdo do  poema mas muitos conheciam o peixe mesmo que pouco lhe tivessem alguma vez metido o garfo.

Acontece que uma das primeiras viagens que o Dr. Durão Barroso faz é ao Porto e na ementa marcada com bastante antecedência  para comemorar o aniversario de uma importante instituição bancária lá estava como prato principal um fantástico e fresquíssimo cherne não sabendo na altura da marcação da ementa quem seria o peixe graúdo que cairia nas redes do poder …

Mal chego ao local do jantar deparo com um aparato policial pouco usual e pergunto de que se trata ao que me dizem que viria o senhor primeiro ministro  jantar … ao que exclamo

– oh não o cherne !

Era tarde , estava nas ementas , estava comprado e semi-confeccionado , de repetente todos se parecem lembrar do mesmo, começam os telefonemas  , mudam-se as ementas e o pobre cherne muda de nome , a confecção do cherne passa a ser a mesma, o parentesco é que muda , e na mesa quem sabe esforça-se para dar um ar de paz mesmo em frente ao cherne agora apelidado de outro nome enquanto a chefe de gabinete do senhor primeiro ministro não parava de dizer

– é muito curioso eu jurava que isto é cherne !

O Dr. Durão Barroso não se  reconheceu no prato ou não o disse,  não se sabe se por embaraço ou por desconhecimento piscatório … fica aqui o poema !

SIGAMOS O CHERNE
(Depois de ver o filme “O Mundo do Silêncio”, de Jacques-Yves Cousteau)

Sigamos o cherne, minha Amiga!
Desçamos ao fundo do desejo
Atrás de muito mais que a fantasia
E aceitemos, até, do cherne um beijo,
Senão já com amor, com alegria…

Em cada um de nós circula o cherne,
Quase sempre mentido e olvidado.
Em água silenciosa do passado
Circula o cherne: traído
Peixe recalcado…

Sigamos, pois, o cherne, antes que venha,
Já morto, boiar ao lume de água,
Nos olhos rasos de água,
Quando, mentido o cherne a vida inteira,
Não somos mais que solidão e mágoa…

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